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Lição 8, A Igreja de CRISTO, 5 partes, 3Tr17, Pr. Henrique, EBD NA TV

Lição 8, A Igreja de CRISTO
3º Trimestre de 2017 - Título: A Razão da Nossa Fé: Assim Cremos, assim Vivemos
Comentarista: Pr. Pres. Esequias Soares, Assembleia de DEUS, Jundiaí, SP
Complementos, ilustrações e vídeos: Pr. Luiz Henrique de Almeida Silva - 99-99152-0454

TEXTO ÁUREO
"Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles." (Mt 18.20)

VERDADE PRÁTICA
Cremos na Igreja, que é o corpo de CRISTO, una, santa e universal assembleia dos fiéis remidos de todas as eras e todos os lugares.

LEITURA DIÁRIA
Segunda - Mt 16.18 JESUS CRISTO é o fundador da Igreja
Terça - Hb 12.23 A Igreja é a comunidade dos remidos
Quarta - Ef 1.22,23 O Senhor JESUS CRISTO é a cabeça do Corpo da Igreja
Quinta - 1 Tm 3.15 A Igreja é a Casa de DEUS
Sexta - Ef 5.25-28 O relacionamento do casal é comparado ao de CRISTO com a sua Igreja
Sábado - Ap 22.17 A Igreja no convite do pecador para CRISTO

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - 1 Coríntios 12.12-20,25-27
12 - Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é CRISTO também. 13 - Pois todos nós fomos batizados em um ESPÍRITO, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um ESPÍRITO. 14 - Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. 15 - Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? 16 - E, se a orelha disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; não será por isso do corpo? 17 - Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? 18 - Mas, agora, DEUS colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. 19 - E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? 20 - Agora, pois, há muitos membros, mas um corpo.
25 - para que não haja divisão no corpo, mas, antes, tenham os membros igual cuidado uns dos outros. 26 - De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. 27 - Ora, vós sois o corpo de CRISTO e seus membros em particular.

12.13 TODOS NÓS FOMOS BATIZADOS EM UM ESPÍRITO. O batismo "em um Espírito" não se refere, nem ao batismo em água, nem ao batismo no Espírito Santo que Cristo outorga ao crente como no dia de Pentecoste (ver Mc 1.8; At 2.4). Refere-se, pelo contrário, ao ato do Espírito Santo batizar o crente no corpo de Cristo - a igreja, unindo-o a esse corpo; fazendo com que ele seja um só com os demais crentes. É a transformação espiritual (i.e., a regeneração) que ocorre na conversão e que coloca o crente "em Cristo" biblicamente.
12.25 TENHAM OS MEMBROS IGUAL CUIDADO UNS DOS OUTROS.
Os dons espirituais e ministeriais não devem ser base para se destacar uma pessoa, ou para considerar um crente mais importante do que o outro (vv. 22-24). Antes, cada pessoa é colocada no corpo de Cristo de conformidade com a vontade de Deus (v. 18), e todos os membros são importantes para o bem-estar espiritual e funcionamento apropriado desse corpo. Os dons espirituais e ministeriais devem ser usados, não com orgulho, nem visando a exaltação pessoal, mas com o desejo sincero de ajudar o próximo, e com um coração que realmente se preocupa com os outros (1Co 13). Todos podem e devem ter dons do ESPÍRITO SANTO (1 Coríntios 14:31).
12.28 A UNS PÔS DEUS NA IGREJA. Paulo apresenta aqui uma lista parcial dos dons de ministério (ver Rm 12.6-8 e Ef 4.11-13,). Para a definição dos termos apóstolo, profeta, evangelista, pastor e mestre; ver também Jo 6.2, 1Co 12.10, para uma definição de "milagres". Ver também Rm 12.7,8, 1Co 12.10 para deifinição de "socorros" ("exercer misericórdia"), e "governos" ("presidir").

OBJETIVO GERAL
Mostrar a Igreja como corpo de CRISTO e os elementos que a identificam.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Apresentar o significado da palavra "igreja" e os seus desdobramentos;
Explicar os elementos que identificam a Igreja;
Conscientizar os crentes de que eles são membros do corpo de CRISTO.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Caro professor, é de suma importância para o aluno ter uma compreensão bíblica e teológica a respeito da natureza da Igreja de CRISTO. Hoje, há algumas ideias equivocadas quanto algumas instituições que se chamam "igrejas". Muitos confundem a Igreja de CRISTO com tais instituições. Um dos objetivos da lição desta semana é exatamente esclarecer essa questão. O que é a Igreja de CRISTO? Qual a diferença entre a sua natureza visível e a sua natureza invisível? Qual o papel do membro dentro do Corpo de CRISTO?
São algumas questões que devem nortear a aula desta semana. O nosso desejo é que a sua classe compreenda melhor o maravilhoso privilégio de pertencer ao Corpo de CRISTO, a Igreja do Senhor.

PONTO CENTRAL - A Igreja é o Corpo de CRISTO.

Resumo da Lição 8, A Igreja de CRISTO
I - A COMUNIDADE DOS FIÉIS
1. Etimologia.
2. A assembleia dos cidadãos.
3. O significado da expressão "Santa Igreja Católica".
II - ELEMENTOS QUE IDENTIFICAM UMA IGREJA
1. Afinal, o que é Igreja?
2. As ordenanças.
3. A adoração.
4. A família de DEUS.
III - O CORPO DE CRISTO
1. O corpo e seus membros.
2. A morada de DEUS.
3. Os membros do corpo.

SÍNTESE DO TÓPICO I - A palavra "igreja" remonta à comunidade dos fiéis reunida em nome do Senhor JESUS.
SÍNTESE DO TÓPICO II - As ordenanças (batismo e ceia), a adoração e a reunião de pessoas são elementos que identificam a Igreja.
SÍNTESE DO TÓPICO III - A Igreja é o corpo de CRISTO na terra, a morada do DEUS Altíssimo.

SUBSÍDIO DIDÁTICO I
O primeiro tópico é um pouco técnico. Mas é importante conhecer o sentido etimológico do termo "igreja". O comentarista mostra que ekklesia é uma palavra grega que significa um grupo de pessoas "chamado para fora" e a interliga com o termo hebraico qahal, "assembleia, multidão humana reunida", no contexto do Antigo Testamento.

CONHEÇA MAIS
*Igreja - "Origem da Palavra
"No Novo Testamento, a palavra 'igreja' é uma tradução da palavra grega ekklesia, que nunca se refere a um lugar de adoração, mas tem em vista uma reunião de pessoas. Na maioria esmagadora dos casos, ekklesia indica uma associação local de crentes". Para conhecer mais, leia Dicionário Bíblico Wycliffe, CPAD, p.949.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO II
"Precisamos nos identificar primeiro com o Senhor JESUS CRISTO, parecer com Ele no amor, no trato com as pessoas, nas estratégias de trabalho, no aproveitamento das oportunidades, no uso de autoridade para libertar os oprimidos e na compaixão pelas pessoas. Enfim, identificar-se com CRISTO é ser parecido com Ele no projeto de transformar o mundo [...]. Precisamos também de identificação entre nós mesmos, ou seja, precisamos entender e praticar o que é ser Igreja. Não me refiro a uma comunidade com estatuto e CGC, endereço e liderança, que faz o que quer, como quer e quando quer. Uma comunidade burocrática e fria, cheia de deveres e direitos, sem vida nem poder. Igreja não é um lugar onde uma multidão ali chega triste e sai vazia, nem tampouco um meio através do qual se possa ganhar dinheiro, explorando-se a boa fé alheia. Igreja não é uma facção dividida por um grupo de radicais e outro de liberais, onde só há confronto e não há vida. Igreja não é lugar de promessas mirabolantes, mas um lugar de vida onde JESUS se manifesta, onde há sinceridade, onde acontecem maravilhas, onde o amor tem liberdade de atuar, onde há comunhão e onde há poder" (FERREIRA, Israel Alves. Igreja Lugar de Soluções: Como recuperar os enfermos espirituais. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, pp.12-13).

SUBSÍDIO TEOLÓGICO III
"A fim de enfatizar e visualizar a relação viva dos crentes com o CRISTO, a Bíblia o apresenta como o 'cabeça' da Igreja, e a Igreja como seu 'corpo' (1 Co 12.27; Ef 1.22,23; Cl 1.18). Há várias razões para esta analogia. A igreja é a manifestação física - visível - de CRISTO no mundo, a fazer seu trabalho, tal como chamar os pecadores ao arrependimento, proclamando a verdade de DEUS às nações e preparando-se para as eras vindouras. A Igreja também é um corpo, composta de um arranjo complexo de diversas partes, cada qual discreta, cada qual recebendo do Cabeça, cada qual com seus próprios dons e ministérios, contudo, todos necessários à obra de DEUS por vir (Rm 12.4-8; 1 Co 6.15; 10.16,17; 12.12-27; Ef 4.15,16). (MENZIES, William W.; HORTON, Stanley M. Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, pp.134-35).

PARA REFLETIR - A respeito da Igreja de CRISTO, responda:
O que significa literalmente a palavra grega ekklesía, "igreja"?
O termo grego para "igreja" é ekklesía, literalmente, "chamado para fora", do verbo grego ekkaleo "chamar, convocar".
Qual o tom da "universal assembleia e igreja dos primogênitos"?
Essas palavras expressam um tom de uma celebração jubilosa, de uma reunião festiva com todos os remidos como cidadãos da comunidade celestial (Ap 5.11-13).
Quais as ordenanças da Igreja?
As ordenanças da Igreja são duas, a primeira é o batismo em águas e a segunda é a Ceia do Senhor.
O que significa "casa de DEUS" em relação à Igreja?
Há passagens no Novo Testamento em que o termo "casa" parece se referir à igreja. O termo "casa" também é utilizado na Bíblia metaforicamente para designar "família" (Js 24.15; At 16.31). A Igreja é citada como a família de DEUS (Ef 2.19) e o templo espiritual de DEUS (1 Co 3.16; Ef 2.22). É por isso que chamamos de irmãos aqueles que se convertem ao Senhor JESUS.
O que significa "batizado pelo ESPÍRITO" (1 Co 12.13)?
Ser batizado "por um só ESPÍRITO" quer dizer que é o ESPÍRITO quem batiza; isso indica a iniciação dos crentes no corpo de CRISTO e não se refere ao batismo do dia de Pentecostes.

CONSULTE - Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 71, p40.

Comentários do Pr. Henrique da Lição 8, A Igreja de Cristo

Comentários de Bíblias, Comentários, Dicionários e Livros

ECLESIOLOGIA - As Grandes Doutrinas da Bíblia - Pr. Raimundo de Oliveira - CPAD

ÍNDICE
I. DEFINIÇÃO DO TERMO "IGREJA"
1. O Uso Clássico - 2. Seu Uso na Septuaginta - 3. O Uso Cristão
II. A ORIGEM DA IGREJA
1. Considerada Profeticamente - 2. Considerada Historicamente
III. O FUNDAMENTO DA IGREJA
1. Cristo - a Pedra - 2. Pedro - Uma Pedra - 3. Petra e Petros
IV. A IGREJA EM RELAÇÃO AO REINO DE DEUS
1. O Reino e a Igreja - 2. A Igreja não é o Reino - 3. O Reino Cria a Igreja - 4. A Igreja dá Testemunho do Reino - 5. A Igreja é a Agência do Reino - 6. A Igreja: a Guardadora do Reino
V. OS MEMBROS DA IGREJA
1. A Igreja é Composta Somente por Aqueles que Demonstram Fé em Cristo - 2. Uma Igreja se Compõe Somente Daqueles que Foram Batizados Depois Duma Profissão de Fé.
VI. A ORGANIZAÇÃO DA IGREJA
1. O Sistema Episcopal - 2. O Sistema Presbiteriano - 3. O Sistema Congregacional
VII. O MINISTÉRIO DA IGREJA
1. Ser Aqui um Lugar de Habitação de Deus - 2. Testemunhar da Verdade - 3. Tornar Conhecida a Multiforme Sabedoria de Deus
4. Dar Eterna Glória a Deus - 5. Edificar a Seus Membros - 6. Disciplinar Seus Membros - 7. Evangelizar o Mundo - 8. Sustentar Uma Norma Digna de Conduta - 9. Cultivar a Comunhão Entre Seus Membros
VIII. A ADMINISTRAÇÃO DA IGREJA
1. Os Doze Apóstolos - 2. Após a Ascensão de Cristo - 3. Princípios Gerais
IX. AS ORDENANÇAS DA IGREJA
1. O Batismo em Água - 2. A Ceia do Senhor.
X. A ADORAÇÃO NA IGREJA
1. A Natureza da Adoração na Igreja - 2. Oração e Louvor - 3. Hinos e Cânticos Espirituais - 4. Reafirmação da Fé Cristã - 5. Ministração da Palavra de Deus - 6. A Mordomia Cristã

ECLESIOLOGIA -
INTRODUÇÃO
Nas Escrituras a doutrina da Igreja (ou eclesiologia) se reveste de tanta importância quanto as demais nela tratadas. O estudo e conseqüente compreensão desta doutrina levará o cristão à conclusão de que, em valor, a Igreja se sobrepõe aos grandes organismos e organizações existentes no mundo hoje . A vocação e missão da Igreja têm alcance imensurável. Suas origens se ocultam na eternidade passada, enquanto que a sua missão no presente tem a capacidade de alterar a rotina tanto do Céu quanto do próprio Inferno. Há, pois, grande recompensa no estudo e compreensão desta doutrina.
I. DEFINIÇÃO DO TERMO "IGREJA"
Os dicionários mais comuns dão dois significados ao termo ekklesia: 1° "Ajuntamento popular", e 2° "Igreja". O primeiro significado é chamado profano, e o segundo "bíblico", "eclesiástico". Os dicionários do Novo Testamento seguem a mesma divisão subdividindo mais uma vez o significado do termo no Novo Testamento: 1° Igreja, como comunidade universal. 2° Congregação, como comunidade local ou particular, bem como comunidade doméstica (A Igreja do Novo Testamento – Aste – Pág.15). Noutras palavras, "ekklesia”, traduzida por "igreja" se deriva de ekkaleo, verbo que significa "chamar à parte"; por isto denota uma assembléia citada ou chamada à parte, um corpo escolhido e separado duma grande massa de gente. O uso do termo pode ser investigado levando-se o seguinte em consideração:
1. O Uso Clássico
O uso clássico do termo "ekklesia" designa uma assembléia de cidadãos, convocados por um arauto; uma espécie de assembléia legislativa. Cremer diz que é o termo comum para designar uma reunião dos eklectoi, reunidos para discutir os assuntos pertinentes à política de um estado livre e soberano. Portanto, ekklesia era a assembléia legal, em uma cidade grega, formada de todos os que possuíam o direito de cidadania para tratar dos assuntos públicos. Eram pessoas literalmente chamadas para fora da grande massa de povo que compunha o grosso da sociedade, - uma porção escolhida do povo, não o populacho, tampouco os estrangeiros, não aqueles que haviam perdido os direitos civis. Tanto a palavra "chamar" como a palavra "aparte" possuem significado que não deve ser desprezado quando ambas tiverem de ser estudadas no contexto da Igreja Cristã. Neste caso o termo ekklesia não denota, exceto em uso excepcional e figurado, uma assembléia mista e não-oficial.
2. Seu Uso na Septuaginta
Na versão grega do Antigo Testamento chamada Septuaginta, o termo ekklesia é a tradução usual do termo hebraico kahal, que denota a multidão inteira de qualquer povo, unido pelos vínculos de uma sociedade, e constituindo uma república ou estado. Em sua significação ordinária, o termo pode ser definido como uma assembléia ou convocação do povo de Israel. Assim disse Moisés: "Nenhum amonita ou moabita entrará na congregação ['ekklesia'] do Senhor" (Dt 23.3; Ne 13.1). Assim também disse Davi: “O meu louvor virá de ti na grande congregação [‘ekklesia’]; pagarei os meus votos perante os que o temem” (Sl 22.25). Neste caso a ekklesia de Israel se compunha exclusivamente pelos israelitas feitos idôneos para cumprirem com os deveres de povo do Senhor, e para participarem do culto em seu santuário. Excluía-se, portanto os incircuncisos, os imundos e os demais povos. A mesma restrição é evidente no uso do termo ekklesia no Novo Testamento quando se refere ao antigo Israel como a “igreja do Senhor” (Act 7.38; Hb 2.12).
3. O Uso Cristão
O termo "ekklesia" aparece no Novo Testamento cerca de cento e quinze vezes. Destas, três se referem à congregação hebraica do Senhor (Act 7.38; Hb 2.12); três outras vezes se referem à assembléia grega (Act 19.32,39,41); e cento e dez à Igreja cristã.Como aparece no Novo Testamento, o, termo tem dupla designação: 1° Designa uma assembléia específica e local de crentes, organizados para manutenção do culto, doutrinas ordenanças e disciplina do evangelho, e unidos sob um concerto especial com Cristo e entre si; como "a igreja em Jerusalém", "as igrejas da Galácia". A palavra se encontra usada neste sentido local em noventa e dois casos. 2° Denota a totalidade do corpo dos escolhidos nos céus e na terra - todos quantos foram alcançados pelo concerto da graçade Deus que os faz membros do reino eterno de Cristo.A doutrina evangélica ensina que a Igreja pode existir independentemente de ter ou não uma forma vista pelos homens, pois ela é tanto visível (militante), como invisível (triunfante). A Igreja Invisível se compõe de todos os que estão unidos a Cristo. Não é uma organização externa, mas um organismo eterno. Os seus membros são conhecidos por Deus, ainda que não seja possível serem conhecidos, totalmente pela vista humana. Muitos deles estão no Céu, ou ainda estão por nascer. A Igreja Visível compõe-se de todos os que professam estarem unidos a Cristo; aqueles que têm os seus nomes arrolados nos livros de registro das suas respectivas congregações. Não é sem certo constrangimento que afirmamos que muitas vezes pode ocorrer da pessoa ter seu nome arrolado entre os membros da Igreja visível sem, contudo tê-lo escrito no Livro da Vida do Cordeiro.
II. A ORIGEM DA IGREJA
Para compreendermos a origem da Igreja, mister se faz estudá-Ia levando-se em consideração fatores proféticos e históricos.
1. Considerada Profeticamente
Israel é descrito na Bíblia como uma igreja no sentido de ser uma nação chamada dentre outras nações para ser um povo formado de servos de Deus. Israel, pois, era a congregação ou a igreja de Jeová no Antigo Testamento. Depois da igreja judaica o ter rejeitado, Cristo predisse a fundação duma nova congregação ou igreja, uma instituição divina que continuaria sua obra na terra (Mt 16.18). Essa é a Igreja de Cristo, que começou a existir visivelmente a partir do dia de Pentecoste, conforme o capítulo 2 do livro de Atos dos Apóstolos. Paulo fala da manifestação mística da Igreja, usando os seguintes termos: "A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou: para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos léus, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor" (Ef 3.8-11).Portanto, no plano de Deus, a Igreja já existia muito antes que qualquer outra coisa viesse à existência, isso com base no sangue do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo (Ap 13.8). Deus, segundo o seu soberano propósito, permitiu que as eras se fossem escoando até que achou por bem tornar a Igreja manifesta e conhecida.
2. Considerada Historicamente
A Igreja de Cristo veio à existência, como tal, no dia de Pentecoste, quando do derramamento do Espírito Santo. Assim como o Tabernáculo foi construído e depois consagrado pela descida da glória divina (Ex 40.34), de igual modo os primeiros membros da Igreja f?ram consagrados no Cenáculo e consagrados como Igreja pela descida do Espírito Santo sobre eles e dentro deles. É muito provável que os cristãos primitivos vissem nesse evento o retorno da glória manifesta no Tabernáculo e no Templo, glória essa que há muito tempo havia se afastado, e cuja ausência era lamentada pelos rabinos judaicos mais piedosos (Conhecendo as Doutrinas da Bíblia – Editora Vida - Pág. 217). Davi juntou os materiais para a construção do Templo, mas a construção foi feita por seu sucessor, Salomão. Da mesma maneira, Jesus, durante o seu ministério terreno, havia juntado os materiais com os quais haveria de dar forma à sua Igreja, por assim dizer, mas o edifício foi erigido pelo seu sucessor, o Espírito Santo. Realmente: essa obra foi feita pelo Espírito Santo, operando através dos apóstolos, que lançaram os fundamentos e edificaram a Igreja por sua pregação, ensino e organização. Por isso a Igreja é descrita como sendo adificada sobre o fundamento dos apóstolos (Ef 2.20).
III. O FUNDAMENTO DA IGREJA
A origem divina da Igreja é patenteada pela sua origem histórica, bem como pela sua expansão e confirmação. Não é possível se pensar na Igreja separadamente de Cristo, nem se pensar em Cristo separadamente da Igreja. Apesar disto a teologia vaticano - romanista atribuição apóstolo Pedro, méritos de pedra fundamental sobre a qual a Igreja de Cristo está edificada. Buscando achar fundamentos escriturísticos para tão absurdo ensino, os teólogos católicos - romanos, apelam para as seguintes palavras do Salvador: "E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai que esta nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do remo dos céus; e tudo o que ligares. na terra será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mt 16.16-19). Dessa passagem, a Igreja Romana deriva o seguinte raciocínio de interpretação:
- Pedro é a rocha sobre a qual a Igreja estar edificada.
- A Pedro foi dado o poder das chaves, portanto, só ele e seus sucessores (os papas) poderão abrir a porta do reino dos céus.
- Pedro tornou-se o primeiro bispo de Roma.
- toda autoridade eclesiástica foi conferida a Pedro, até nossos dias, através da linhagem de bispos e de papas, todos vigários de Cristo.
1. Cristo – a Pedro
A “pedra” constante de Mateus 16.18 nada mais é do que a confissão de Pedro: em Cristo está a verdade fundamental da Igreja! “porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Co 3.11). Em vários textos da Bíblia encontramos alusões a Cristo, como sendo Ele a “Pedra”. Parar Daniel, no Antigo Testamento, Cristo é a pedra que do alto será lançada, e que destruirá a estatua do misterioso sonho de Nabucodonosor (Dn 2.34,35). A pedra aqui fala de Cristo na sua segunda vinda, destruindo o poder gentílico mundial. Para Pedro, Cristo era a pedra que os lideres espirituais de Israel rejeitaram e mataram (Act 4.11). Que Cristo é a pedra, já era prefigurado no Antigo Testamento (1 Co 10.4). Dos oitenta e quatro chamados Pais da Igreja primitiva, só dezesseis criam que o Senhor se referiu a Pedro, quando disse "essa pedra". Os demais, uns diziam que a expressão se referia a Cristo mesmo, outros à confissão que Pedro acabara de fazer, ou, ainda, a todos os apóstolos. Só a partir do IV Século começou-se a falar a respeito da possibilidade de Pedro ser a pedra fundamental da Igreja, e esta discussão estava intimamente relacionada com a pretensão exclusivista do bispo de Roma.
2. Pedro - Uma Pedra
A interpretação da Igreja Romana segundo a qual Cristo estabeleceu a sua Igreja sobre a pessoa do apóstolo Pedro é insustentável e não suporta a prova da teologia bíblica. Não consta em parte alguma das Escrituras, nem mesmo na história do cristianismo, que Pedro tenha assumido essa posição de destaque que o romanismo lhe atribui. Evidentemente, Pedro teve algumas oportunidades de ações relevantes junto aos demais apóstolos. Foi, porém, uma posição temporária ou transitória. Com excessão do que lemos em Gálatas 1.18, não encontramos nenhuma outra referência a Pedro no restante do Novo Testamento, nem sobre um possível episcopado sobre os demais apóstolos e comunidades cristãs da sua época. É bom lembrar que Pedro foi enviado como missionário aos samaritanos e gentios vizinhos a Jerusalém, sob a orientação de Tiago, quando esse e não Pedro, era o pastor e líder da Igreja em Jerusalém.Pedro foi uma pedra, mas não a pedra firme e inabalável sobre a qual foi fundada "a universal assembléia e igreja dos primogênitos que estão escritos nos céus (Hb 12.23), e sim uma pedra como são os demais salvos e remidos pelo sangue de Jesus (1 Pd 2.4).
3. Petra e Petros
O substantivo grego PETRA designa, no grego, "uma rocha grande e firme". Já o substantivo masculino PETROS é aplicado geralmente para designar blocos de pedra, móveis e isolados, bem como a pedras pequenas, tais como a pederneira, ou pedra de arremesso.
Pedro é PETROS - parte da rocha, não PETRA - rocha grande e firme.
Cristo é PETRA - rocha grande e firme.
Pedro foi uma pedra forte e firme, mas em união com Cristo e nunca desligado dele. Por exemplo: lemos no Evangelho que Pedro andou sobre o mar encapelado, mas só enquanto tinha os olhos fixos em Jesus, pois quando começou a olhar para as ondas do mar, começou a afundar. Era uma pedra que ia se afundando. Como uma Igreja sobre a qual as portas do Inferno não poderiam prevalecer, iria ser edificada sobre o homem Pedro?
IV. A IGREJA EM RELAÇÃO AO REINO DE DEUS
Parece unânime a opinião dos estudiosos das Escrituras quanto à dificuldade de conciliar o estudo da doutrina da Igreja com o estudo relacionado com o Reino de Deus. O problema geralmente começa com as questões: Deve o Reino de Deus, em algum sentido da palavra, ser identificado com a Igreja? Se não, qual a relação entre ambos? A busca de resposta a esta questão, passará, sem dúvida à análise das seguintes questões:
1. O Reino e a Igreja
Achar-se o tipo de relação porventura existente entre Reino de Deus e a Igreja dependerá do conceito que o cristão tiver do Reino. Conclui-se, pois, que, se o conceito que o cristão fizer do Reino estiver correto, ele nunca deverá ser identificado com a Igreja."O Reino é primeiramente o reinado dinâmico ou o domínio soberano de Deus e, derivadamente, a esfera na qual tal soberania é experimentada. De acordo com a fraseologia bíblica, o Reino não deve ser identificado com as pessoas que pertencem a Ele. Elas são o povo do domínio de Deus que entra no Reino, vive sob a autoridade do Reino, e é governado e orientado pelo Reino. A Igreja é a comunidade do Reino, mas nunca o próprio Reino. Os discípulos de Jesus pertencem ao Reino como o Reino lhes pertence; mas eles não são o Reino. O Reino é o domínio de seus; a Igreja é uma sociedade composta por seres humanos” (Teologia do Novo Testamento – JUERP – Pág. 106).
2. A Igreja Não é o Reino
O Novo Testamento nunca confunde Igreja com o Reino. Os primitivos pregadores do Evangelho pregaram o Reino de Deus e não a Igreja (Act 8.12; 19.8; 20.25; 28.23,31). Portanto é impossível confundir "reino" por "igreja" na fraseologia neotestamentária. As únicas referências ao povo de Deus como Basiléia encontram-se em Apocalipse 1.6 e 5.10; mas as pessoas que recebem tal designação recebem-na, não em virtude de serem as pessoas que estão sob o domínio de Deus, mas porque são participantes do reino de Cristo. “... e eles reinarão sobre a terra" (Ap 5.10). Nestas declarações, "reino" é sinônimo de "reis", e não de pessoas sob o governo de Deus. Deste modo é confuso afirmar como fez Sommerlarth, que "a Igreja é a forma assumida pelo Reino de Deus no intervalo existente entre a ascensão e a parousia de Cristo"; ou como disse Gilmour: "A Igreja, (não como instituição, mas como comunidade amada) tem sido o Reino de Deus dentro do processo histórico".
3. O Reino Cria a Igreja
O domínio dinâmico de Deus, presente na missão terrena de Jesus, desafiou o homem no "Sentido de manifestar uma resposta positiva à sua mensagem, introduzindo-o em um novo grupo de comunhão. Deste modo, a manifestação do Reino de Deus assinalava o cumprimento da esperança messiânica do Antigo Testamento, prometida a Israel. Mas quando Israel como um todo rejeitou a oferta do Reino, aqueles que a aceitaram foram constituídos o novo povo de Deus, os filhos do Reino, o verdadeiro Israel, a igreja incipiente. Assim "a Igreja não é senão o resultado da vinda do Reino de Deus ao mundo por intermédio da missão de Jesus Cristo" (Teologia do Novo Testamento – JUERP – Pág.106). A Igreja visível e histórica, tem um duplo caráter. Ela se constitui no povo do Reino, contudo, ela não forma o povo em seu caráter ideal, uma vez que tem no seu seio pessoas que não podem ser indicadas realmente como filhos do Reino. Por isso se conclui que a entrada no Reino de Deus significa participação na Igreja; mas a entrada na Igreja não é uma expressão equivalente da entrada no Reino de Deus.
4. A Igreja dá Testemunho do Reino
A Igreja é ineficaz para edificar o Reino é fazê-lo prosperar; no entanto, tem ela o dever e a autoridade de testemunhar do Reino e para o Reino. Este testemunho diz respeito aos atos redentores de Deus por meio de Jesus Cristo, cobrindo todo o período compreendido pela Dispensação da Graça. Os doze enviados, de Mateus 10 e os setenta, de Lucas 10, tinham o mandamento expresso de testemunhar do Reino. A comissão desses primeiros discípulos de Jesus parece se revestir de grande simbolismo para a Igreja hodierna. Portanto, é tarefa da Igreja viver e demonstrar a vida e a comunhão do Reino de Deus e da Era Vindoura numa era escravizada pela perversidade e egoísmo, orgulho e animosidade. Esta demonstração da vida característica do Reino é um elemento essencial do Testemunho da Igreja em favor do Reino de Deus. A Igreja pode e tem o dever de orar: “Venha o teu reino...”
5. A Igreja é a Agência do Reino
Os primeiros discípulos de Jesus, além de proclamarem as boas-novas afetas à presença do Reino, consideravam a si mesmos agentes instrumentais do Reino. Pesava sobre seus ombros a grande comissão dada por Jesus antes de voltar para o seio do Pai. Deste modo, a partir daí, eles consideravam que o que eles faziam era como se Jesus Cristo mesmo, em pessoa, tivesse realizado. Assim tal como fez Jesus quando, visivelmente entre eles, quando eles curaram enfermos, expulsaram demônios e ressuscitaram mortos (Mt 27.10.8; Lc 10.17). Os discípulos tinham ciência de que o poder de que dispunham para realizar a obra de Deus, fora outorgado por delegação, mas não tinham a menor dúvida de que esse poder neles e através deles operante, tinha a mesma eficácia que o poder operante no ministério terreno de Jesus. Uma vez que o poder que dispunham para realizar a obra de Deus não lhes pertenciam como condição inata, não tinham porque se vangloriar. Ao manifestar a decisão de fundar a sua Igreja triunfante Mt 16.18), Jesus estava garantindo que as forças das trevas e do inferno haveriam de recuar ante a manifestação aterradora do Reino através da ação notória da Igreja vitoriosa.
6. A Igreja: a Guardadora do Reino
Os rabinos judaicos antigos tinham Israel na conta de guardador do Reino de Deus, segundo eles, inaugurado na terra nos dias de Abraão, finalmente entregue a Israel quando da outorga da Lei no Sinai. Uma vez que Israel foi feito guardião exclusivo da Lei divina, o Reino de Jesus se tornava posse exclusiva de Israel. Quando um gentio queria fazer parte desse Reino, tinha de se deixar proselitizar, ou se judaizar. Só após essa "conversão" o judaísmo é que o gentio podia se considerar súdito do Reino. Era indispensável a mediação de Israel, uma vez que só o israelita era considerado "filho do Reino".Na pessoa de Jesus Cristo, o domínio de Deus manifestou-se em um novo evento redentor, demonstrando, de um modo totalmente inesperado, os pobres do reino escatológico dentro do cenário da história humana. Como a nação de Israel rejeitou por completo esta nova forma de manifestação do Reino de Deus, a porta da graça divina se abriu para o mundo gentílico. A barreira de separação existente entre judeus e gentios fora derribada. Já não haveria "filhos exclusivos" do Reino. Súditos do Reino seriam todos aqueles que absorvessem a revelação divina trazida por Jesus Cristo. Os discípulos de Jesus, a sua ekklesia, agora se tornaram os guardadores do Reino, em lugar da nação de Israel. O Reino é tirado de Israel e dado a outro povo - a ekklesia de Jesus. Deste modo, os discípulos de Jesus não somente dão testemunho a respeito do Reino; eles não apenas se constituem em instrumento do Reino, à medida que este manifesta o seu poder nesta Era presente, eles são também os guardadores do Reino (Teologia do Novo Testamento – JUERP – Pág. 110).
V. OS MEMBROS DA IGREJA
Uma igreja é uma congregação de crentes em Jesus Cristo batizados depois duma profissão de fé, e voluntariamente ligados sob a aliança especial para a manutenção do culto, verdades, ordenanças, e disciplina do evangelho Portanto, face à questão quanto, a saber, quem são e quais as características dos membros da Igreja de Cristo, diría-mos:
1. A Igreja é Composta Somente por Aqueles que Demonstram fé em Cristo.
As unidades da Igreja são almas regeneradas e que vivem em união com Cristo. Deste modo a Igreja é uma assembléia de tais almas, atraídas umas às outras por afinidades espirituais da nova vida que cada uma recebeu e pelo vínculo comum que as une a Deus. Disse Jesus que “aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). É assim que o novo nascimento espiritual se constitui condição indispensável e fundamental para a união do homem com a Igreja cristã. Por mais difícil que pareça ser o estabelecimento duma igreja formada só de pessoas inteiramente regeneradas, a verdade é que a igreja local que mais trabalha no sentido de levar os seus membros a demonstrarem uma genuína conversão, mais tem se aproximado do ideal duma vida de fé e de pureza.
2. Uma Igreja se Compõe Somente Daqueles que Foram Batizados Depois duma Profissão de Fé
As considerações seguintes fazem do batismo em água, não uma opção mas uma ordenança para ser cumprida pelo crente:
-A comissão apostólica dada por Jesus nos manda não apenas fazer discípulos, mas também batizar (Mt 28.19). A ordem de fazer discípulos e depois batizar, se preserve definitivamente como decreto da autoridade divina.
-Nas Escrituras, o batismo é o primeiro ato público do crente. Esse ato tem duplo significado: a) fala do rompimento do crente com a vida de outrora; e b) fala do seu membramento no corpo de Cristo, que é a Igreja. O batismo em água, desde o princípio, tem sido considerado como prática uniforme de admissão do neoconvertido à igreja.
- As Epístolas do Novo Testamento se dirigem às igrejas, como corpos compostos exclusivamente de pessoas batizadas em águas (Rm 6.1-14; 1 Pd 3.21).
VI. A ORGANIZAÇÃO DA IGREJA
Existem três formas distintas de igrejas, que se diferenciam entre si pelos princípios fundamentais de sua organização, são elas: Episcopal, Presbiteriana e Congregacional.
1. O Sistema Episcopal
O sistema episcopal de organização da igreja consiste numa rija hierarquia, concentrando o poder eclesiástico no sacerdócio formado de três ordens de bispos, sacerdotes e diáconos. Essas três ordens formam uma espécie de governo sacerdotal. Esta forma é adotada pela Igreja Católica Romana, a Igreja da Inglaterra, a Igreja Protestante Episcopal dos Estados Unidos, e a Igreja Metodista Episcopal. Nesta última os bispos se diferenciam dos presbíteros não como uma ordem distinta, mas somente por razões de funções. Em todas estas igrejas o poder principal está nas mãos do clero, que se constitui um corpo que se perpetua a si mesmo, distinto da congregação local, e virtualmente independente dela.
2. O Sistema Presbiteriano
Nas igrejas que adotam este sistema de organização, a recepção e disciplina de membros são confiadas a um conselho, composto de pastores, e anciãos eleitos pela congregação; mas todos. Os atos eclesiásticos estão sujeitos a revisão por um conselho superior, composto de pastores e anciãos de muitas outras congregações. A igreja, segundo a concepção presbiteriana, é formada de muitas e distintas congregações, reunidas por seus representantes - pastores e anciãos - em um corpo, no qual reside todo o poder eclesiástico. Por isto há uma cadeia de comando na seguinte ordem: o conselho, cujos membros são eleitos pela congregação individual; o presbitério, composto de delegados dos distintos conselhos; o sínodo, corpo local composto de delegados de vários presbitérios; e a assembléia geral, composta de delegados de todos os presbitérios, e que constitui a última corte de apelação. Todos os oficiais eleitos pela congregação local e todos os atos executados por ela podem ser anulados por esta mais alta autoridade eclesiástica.
3. O Sistema Congregacional
No sistema Congregacional de igreja, todo o poder eclesiástico é exercido por cada igreja local, reunida em uma congregação, e as decisões tomadas pela igreja local individual não estão sujeitas a revogação por nenhum outro corpo eclesiástico. A esta classe pertence, com ligeiras diferenças e pormenores de organização, os Independentes da Inglaterra, as igrejas congregacionais da América e as igrejas batistas de todo o mundo (Su Forma de Gobierno y Sus Ordenanzas – Editora Mundo Hispano – Pág.110). Quando comparadas estes três sistemas de igreja, não há dúvida que o sistema Congregacional é o que melhor se identifica com o modelo de organização da Igreja primitiva. De acordo com o Novo Testamento, era a igreja como congregação local (e não o seu ministério ordinário), que tinha autoridade de receber, disciplinar e excluir a seus membros (1 Co 5.1-5; 2 Co 2.4,5; Rm 16.17; 2 Ts 3.6). Ela detinha com exclusividade o direito de eleger os seus próprios oficiais (Act 1.15-26; 6.1-6; 14.23; 1 Co 16.3). De acordo com a História da Igreja, foram as congregações locais que escolheram espontaneamente, proeminentes bispos, como Atanásio (328 d.C.), Ambrósio (374 d.C.) e Crisóstomo (398 d.C.). A igreja local, ainda, detém o poder de decidir assuntos não decididos pelas Escrituras.
VII. O MINISTÉRIO DA IGREJA
O Lions Club existe em função dos "leões", o Rotary Club, em função dos rotarianos, a Maçonaria, em função dos maçons. A Igreja é o único organismo existente no mundo, cuja preocupação essencial não é o bem-estar de seus próprios membros. A razão de ser, existir e agir da Igreja na terra é ministrar em nome de Cristo ao mundo. Em síntese, se constitui missão prioritária da Igreja no mundo:
1. Ser Aqui um Lugar de Habitação de Deus
"Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra de esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo do Senhor, no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” (Ef 2.20-22). “Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós” (1 Co 3.16).
2. Testemunhar da Verdade
Para que se eu tardar, fiques cientes de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade (1 Tm 3.15).
3. Tornar Conhecida a Multiforme Sabedoria de Deus
"Para que pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos principados e potestades nos lugares celestiais" (Ef 3.10).
4. Dar Eterna Glória a Deus
"Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que em nós opera, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações para todo o sempre. Amém" (Ef 3.20,21).
5. Edificar a Seus Membros
"E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vista ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e ao pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo" (Ef 4.11-13).
6. Disciplinar Seus Membros
"Se teu irmão pecar, vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano'’ (Mt 18.15-17).
7. Evangelizar o Mundo
“Jesus, aproximando-se, falou-Ihes, dizendo: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos" (Mt 28.18-20).
8. Sustentar Uma Norma Digna de Conduta
"Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que há de salgar? para nada mais presta senão para se Iançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus" (Mt 5.13-16).
9. Cultivar a Comunhão Entre Seus Membros
"Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros". "Mas, se andardes na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo seu Filho nos purifica de todo o pecado" (Jo 13.34,35; 1 Jo 1.7).
VIII. A ADMINISTRAÇÃO DA IGREJA
O Novo Testamento não provê um código detalhado de regulamentos e preceitos para o governo da Igreja, e a própria ldéia de tal código pode parecer repugnante para a liberdade da Dispensação do Evangelho. No entanto Cristo deixou atrás de si um corpo de líderes (os apóstolos), por ele mesmo escolhido, ao qual ofereceu alguns princípios gerais para o exercício de sua função reguladora.
1. Os Doze Apóstolos
Os doze apóstolos foram escolhidos, a fim de que estivessem com Jesus Cristo (Marc 3.14), e essa associação pessoal qualificou-os para agirem como suas testemunhas (Act 1.8). Por isso, desde o princípio foram capacitados a expelirem demônios e a curarem enfermos (Mt 10.1), poder esse que foi renovado e aumentado, atingindo a sua plenitude com o derramamento do Espírito Santo sobre suas vidas (Lc 24.49; Act 1.8). Na sua primeira missão foram enviados a pregar (Marc 3.14), e na Grande Comissão foram instruídos a ensinar todas as nações. Assim receberam de Cristo a autoridade para evangelizar o mundo. Porém, foi-lhes igualmente prometida uma função mais específica como juízes e governantes do povo de Deus (Mt 19.28; Lc 22.29,30), com o poder de ligarem e desligarem (Mt 18.18), e de perdoarem e reterem pecados (Jo 20.23). Tal linguagem deu origem à concepção das chaves tradicionalmente definidas, como: chave da doutrina, para ensinar qual conduta é proibida e qual é permitida (esse é o sentido técnico de ligar e desligar na fraseologia legal judaica), e chave da disciplina, para excomungar os indignos e reconciliar os contritos, declarando o perdão de Deus mediante a remissão de pecados exclusivamente em Cristo. Pedro recebeu esses poderes em primeiro lugar (Mt 16.18,19), como também recebeu a comissão pastoral de alimentar o rebanho de Cristo (Jo 21.15), mas fê-Io de modo representativo, e não como uma capacidade pessoal; pois quando tal comissão é repetida por Jesus em Mateus 18.18, a autoridade de exercer o ministério da reconciliação é investida sobre todo o corpo de discípulos, como um todo, como também é a congregação fiel, e não qualquer indivíduo particular, que age em nome de Cristo para abrir o Reino aos crentes e fechá-lo aos incrédulos. Semelhantemente, essa função autoritativa é exerci da primariamente pelos pregadores da Palavra, e o processo seletivo, de conversão, é visto em operação desde a primeira pregação de Pedro, e daí em diante (Act 2.37-47). Quando Pedro confessou a Cristo, sua fé se tornou típica do alicerce rochoso sobre o qual a Igreja está edificada; mas, em realidade, o alicerce da Jerusalém Celeste contém os nomes de todos os apóstolos (Ap 21.14) e não o de Pedro, apenas, pois estes agiam conjuntamente nos primeiros dias da Igreja, e a idéia de que Pedro tenha exercido qualquer primado entre eles é refutada, parcialmente pela posição de liderança ocupada por Tiago no Concílio de Jerusalém (Act 15.13,19) e parcialmente pelo fato de que Paulo resistiu a Pedro face a face (Gl 2.11). Era uma capacidade conjunta que os apóstolos proviam liderança para a Igreja primitiva; e essa liderança era eficaz tanto na misericórdia (Act 2.42) como no juízo (Act 5.1-11). Exerciam autoridade geral sobre cada congregação, enviando dois dentre os seus, a fim de supervisionarem novos desenvolvimentos em Samaria (Act 8.14), e resolvendo com os anciãos qual a orientação comum para a administração dos gentios (Act 15), enquanto que "a preocupação com todas as igrejas" (2 Co 11.28), sentida por Paulo, é ilustrada tanto pelo número de suas viagens missionárias, como pelo grande volume de sua correspondência.
2. Após a Ascensão de Cristo
O primeiro passo dado pelos apóstolos logo após a ascensão de Jesus Cristo foi preencher a vaga deixada por Judas, e isso fizeram mediante um apelo direto a Deus (Act 1.24-26). Outros foram posteriormente contados entre os apóstolos (Rm 16.7; 1 Co 9.5,6; Gl 1.19),mas as qualificações de ser testemunha ocular da ressurreição (Act 1.22), e de ter sido de algum modo comissionado por Cristo, não eram de natureza a poderem ser perpetuadas indefinidamente. Quando a pressão do trabalho aumentou, fizeram escolher sete assistentes, ou diáconos (Act 6.1-6), eleitos pela congregação e ordenados pelos apóstolos, a fim de que administrassem a caridade entre os membros carentes da Igreja. Os oficiais eclesiásticos com denominação distintiva são pela primeira vez encontrados nos anciãos de Jerusalém, os quais receberam dons (Act 11.30) e participaram do Concílio aí realizado (Act 15.6). Esse ofício foi provavelmente copiado do presbítero das sinagogas judaicas; pois a própria Igreja é chamada de "sinagoga" em Tiago 2.2, e os anciãos judaicos, aparentemente ordenados por imposição de mãos, eram os responsáveis pela manutenção da disciplina, com o poder de ligar e desligar os que desobedecessem à Lei. O presbítero cristão, todavia, sendo um ministro evangélico, âdquiriu deveres adicionais para pastorear (Tg 5.14; 1 Pd 5.1-3) e para pregar (1 Tm 5.17). Foram ordenados anciãos para todas as igrejas da Ásia Menor por Paulo e Barnabé (Act 14.23), enquanto que Tito foi exortado a fazer o mesmo em relação à igreja em Creta (Tt 1.5); e embora os distúrbios em Corinto possam sugerir que uma democracia mais completa prevalecia naquela congregação (1 Co 14.26), o padrão geral de governo eclesiástico na época apostólica parece ter sido uma junta de anciãos ou pastores, possivelmente aumentada por profetas e mestres, que governavam cada uma das congregações locais, tendo os diáconos como ajudantes da administração, e contando com a superintendência geral da Igreja inteira provida pelos apóstolos e evangelistas. Nada existe neste sistema neotestamentário que corresponda exatamente ao moderno episcopado diocesano. Os bispos, quando são mencionados (Fp 1.1), formavam uma junta de oficiais da congregação local, a posição ocupada por Timóteo e Tito era a de ajudantes pessoais de Paulo em sua obra missionárias. O que é mais provável é que quando um ancião adquiria presidência permanente da junta, passava então a ser especialmente designado pelo título de bispo; porém, mesmo quando o bispo monárquico aparece nas cartas de Inácio, continuava sendo apenas o pastor de uma única congregação. Na terminologia semelhante a uma hierarquia, encontramos descrições vagas como "o que preside", "os que vos presidem no Senhor" (Rm 18.8; 1 Ts 5.12), ou então "vossos guias” (Hb 13.7,17,24). OS anjos das igrejas citadas em Apocalipse 2 e 3, têm sido algumas vezes considerados como bispos verdadeiros; porem, mais provavelmente são personificações de suas respectivas comunidades. Aqueles que ocupam posições de responsabilidade têm o direito de serem honrados (1 Ts 5.12,13), de serem sustentados (1 Co 9.15), e de estarem a salvo de acusações frívolas (1 Tm 5.19) .
3. Princípios Gerais
Cinco princípios gerais podem ser deduzidos do ensinamento neotestamentário como um todo: Toda a autoridade se deriva de Cristo (Mt 20.26-28); A humildade de Cristo provê o padrão para o serviço cristão; O governo d.a Igreja deve ser exercido conjuntamente e não hierarquicamente: Ensinar e dirigir são funções intimamente associadas. Ajudantes administrativos são necessários para cooperarem com os pregadores da Palavra (Act 6.2,3; - O Novo Dicionário da Bíblia – Edições Vida Nova – Págs. 679-681). Quanto à administração e governo da Igreja; convém, pois, saber:
- Cristo é a Cabeça da Igreja. Sabemos que Deus “pôs todas as coisas embaixo dos seus pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo; como também Cristo é a cabeça da igreja; sendo ele próprio o salvador do corpo" (Ef 1.22; 5.23). Da mesma forma que a cabeça prove, sustenta e dirige o corpo, assim também Cristo faz a cada um dos membros de seu corpo espiritual a Igreja. O Senhor é capaz de dirigir os menores detalhes da nossa vida, e quem desconhece ou se nega a reconhecer a direção do Senhor em sua vida diária jamais conhecerá as doçuras da vida verdadeiramente cristã.
- Quando o Cristo subiu ao Céu, concedeu certos dons à sua Igreja. São dons em forma de homens por Ele chamados. Esses diferentes dons estão relacionados em Efésios 4.11. Esses mesmos dons operaram em Cristo, pois através do Novo Testamento vemo-Io como apóstolo (Hb 3.1), profeta (Act 3.22,23), evangelista (Lc 4.18), pastor (Jo 1.10) e mestre (Jo 13.13,14).Agora, exaltado à destra do Pai, Jesus concede à Igreja esses dons. Ministeriais que nele operaram, para que a Igreja seja edificada. Nada há mais indefeso que um rebanho de ovelhas sem pastor, e a Igreja é comparada a um rebanho de ovelhas.
- As palavras "pastor", "bispo" e "presbítero" têm o mesmo significado quanto ao cargo. A palavra "pastor" é a tradução de um vocábulo grego que significa "supervisor". Pastor, no original, e alguém que conduz e alimenta as ovelhas (1 Pd 1.25). Ao ministro da casa de Deus não basta ser intelectual capacitado para o exercício do ministério cristão. É imprescindível que ele seja revestido do poder do Espírito Santo: Nem mesmo o Senhor Jesus Cristo iniciou o seu ministério terreno senão após receber a plenitude do Espírito Santo sobre a sua vida. Portanto, se o ministro deseja que o seu ministério seja uma continuação do ministério do Salvador, deve se deixar possuir do mesmo poder que Ele (Jo 14.12,13).
É imperioso que todos os ministros sejam revestidos do poder do alto (Jo 14.16,17).
- Há uma pesada responsabilidade sobre os ombros do ministério evangélico.O ministro de Deus é tal qual um atalaia sobre as muralhas de Sião. Ele vê o perigo e avisa os pecadores do iminente juízo divino. Caso ele não aja assim, será responsabilizado pela perda das almas sob seus cuidados. A mais terrível declaração com respeito aos pastores sem fé, vitimadas pelo pecado da desobediência, avareza, embriaguez e glutonaria, foi proferida pelo Senhor através do profeta Isaías (Is 56.9-12). O que foi dito aos pastores de Israel, deverá servir de solene aviso aos ministros da casa de Deus hoje em dia.
IX. AS ORDENANÇAS DA IGREJA
Apesar de possuir ordenanças, a Igreja não faz do ritualismo a sua alma e a sua vida. A essência do cristianismo é um novo relacionamento entre o homem e Deus, através do novo nascimento operado pelo Espírito Santo e pela Palavra de Deus.São duas as principais ordenanças dadas pelo Senhor Jesus Cristo à sua Igreja: o batismo em água, e a celebração da Santa Ceia do Senhor.
1. O Batismo em Água
O termo "batizar" comum ente significa mergulhar ou imergir. Apesar de indefinida a origem da prática batismal e da razão porque foi adotada pela Igreja cristã, a sua prática se faz algo imperioso quando analisadas as seguintes palavras de Jesus: "Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28.19).
a) A Fórmula do Batismo
Os inimigos da doutrina trinitária, com freqüência, se insurgem contra a fórmula batismal dada por Jesus em Mateus 28.19. Por exemplo, citam o apóstolo Pedro dizendo: “... cada um de vós seja batizado em nome de Jesus" (Act 2.38), para erroneamente afirmarem que a forma batismal bíblica é "em nome de Jesus", e não "em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo". Um escritor cristão do II Século põe fim à questão quanto à forma batismal cristã, quando escreve: "Agora, concernente ao batismo, batizai assim: havendo ensinado todas as coisas, batiza em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, em água viva (corrente). E se não tiveres água viva, batiza em outra água; e se não podes em água fria, então em água morna. Mas se não tiveres nem uma nem outra, derrama água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo" (Conhecendo as Doutrinas da Bíblia – Editora Vida – Pág.22).
b) O propósito do Batismo
Uma vez que só o salvo pode ser batizado, o batismo não tem como finalidade a salvação do batizando. O ato do batismo se constitui num testemunho público de que aquele que a ele se submete foi regenerado pela fé em Jesus Cristo. Assim, pelo batismo, o novo crente dá prova de haver morrido para o mundo, estando pronto para ser sepultado e ressuscitado para uma nova vida em Cristo. No entanto, devemos compreender que se o crente, por uma circunstância inesperada, vier a morrer antes de ser batizado em água, a sua posição de salvo continua inalterada (Lc 23.42,43). Em circunstâncias normais, uma vez que o batismo não se constitui uma opção, mas uma ordenação divina, todos os que crêem devem ser batizados.
2. A Ceia do Senhor
O Senhor Jesus Cristo começou o seu ministério terreno pelo batismo no Jordão, e o encerrou com a celebração da Ceia no Cenáculo. Ambos os fatos destacam o valor da Ceia do Senhor para a vida dos crentes hoje em dia.
a) O Propósito da Ceia
A Santa Ceia do Senhor tem por finalidade anunciar a nova Aliança (Mt 26.26-28), e se constitui um memorial, conforme ordem expressa do próprio Jesus (Lc 23.19). É uma lição objetiva que expõe os dois fundamentos do Evangelho: Primeiro: A encarnação: Ao partir do pão, ouvimos o apóstolo João a dizer: "E o verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1.14). Segundo: A expiação: As bênçãos incluídas na encarnação nos são concedidas mediante a morte de Cristo. O simbolismo do pão partido é que o Pão deve ser quebrantado na morte, a fim de ser distribuído entre os espiritualmente famintos. O vinho derramado nos diz que o sangue de Cristo, o qual é a sua vida, deve ser derramado na morte, a fim de que seu poder purificador e vivificante possa ser outorgado às almas necessitadas. Os elementos usados na Ceia (o pão e o vinho) nos lembram que pela fé podemos ser participantes da natureza de Cristo, isto é, ter "comunhão com ele". Ao participarmos do pão e do vinho, na Ceia do Senhor, o ato nos recordae nos assegura que, pela fé, podemos verdadeiramente receber o Espírito de Cristo e ser o reflexo do seu caráter.
b) Como Celebrar a Ceia
No ato da celebração da Ceia, Cristo deixou-nos o exemplo de como devemos ministrar. Todos os discípulos participaram do pão e do vinho, e esta fórmula foi repetida no ensino do apóstolo Paulo (1 Co 11.24-26). Por ser a Ceia do Senhor a maior festa espiritual da Igreja, interrrompê-la com outros assuntos se constitui profanação. Este tipo de atitude representa, na verdade, falta de zelo para com as coisas de Deus. Se por um lado a reverência cristã condena o mero formalismo, ao mesmo tempo não pode aceitar que a Ceia do Senhor seja celebrada sem nenhuma solenidade, de modo relaxado e desprezível. Isto é profanar aquilo que é sagrado. Somos, igualmente, admoestados sobre o modo como devemos participar da Ceia do Senhor: "Examine-se pois o homem a si mesmo..." (1 Co 11.28). Portanto, erram clamorosamente aqueles que, ao invés de examinarem a si mesmos, ficam a investigar as outras pessoas.
c) A Atitude Correta Face à Celebração da Ceia
Em 1 Coríntios 11.24,26,28, o apóstolo Paulo chama a atenção do comungante da Santa Ceia do Senhor, para três direções que essa cerimônia o leva a olhar:
Primeiro: O olhar retrospectivo: Como memorial, todas as vezes em que celebrarmos a Ceia do Senhor, devemos fazê-lo com um olhar retrospectivo, - em direção ao Calvário, onde o Senhor, com o seu próprio sangue, pagou o preço exigido pelo resgate de nossas almas. O Calvário deve ser permanentemente o tema de nossas vidas!
Segundo: O olhar introspectivo: Este é o olhar interior, pessoal uma espécie de sondagem para saber como está a nossa vida diante do Senhor a quem celebramos quando participamos do pão e vinho. Que valor temos dado ao seu sacrifício. Em que posição nos encontramos concernente à nossa comunhão com o Salvador? Este é um dos propósitos Ceia do Senhor. Ela nos estimula a uma reflexão interior sobre os nossos passos na vida cristã.
Terceiro: O olhar expectativo: Finalmente, a Ceia do Senhor também um fator de esperança. Todas as vezes que dela participamos, nossa mente se volta para aquele glorioso dia quando nos assentaremos com o Senhor nas Bordas do Cordeiro (Maturidade Cristã N° 4 – 4° Trimestre - CPAD). O próprio Jesus Cristo assim se expressou: “E digo-vos que, desde agora que, desde agora, não beberei deste fruto da vide ate aquele dia em que o beba de novo convosco no reino de meu Pai" (Mt 26.29). Paulo, em outras palavras reiterou a mesma mensagem: “... anunciais a morte do Senhor até que venha” (1 Co 11.26).
X. A ADORAÇÃO NA IGREJA
A Igreja é conhecida basicamente como uma comunidade adoradora. Como "povo de Deus", a Igreja leva consigo associações da sua redenção e do seu destino. Ela foi chamada por Deus para ser propriedade e herança exclusivamente dele. O apóstolo Paulo diz que "assim como [Deus] nos escolheu nele [no Senhor Jesus Cristo] antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade... predestinados... a fim de sermos para louvor da sua glória... em quem também vós... tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa" (Ef 1.4,5, 11-13).
1. A Natureza da Adoração na Igreja
Desse William Temple: "Adoração é o submetimento de todo o nosso ser a Deus. E tomar consciência de sua santidade; é o sustento da mente com Sua verdade; é a purificação da imaginação por sua beleza; é o apego do coração ao seu amor; é a rendição da vontade aos seus propósitos. E tudo isto se traduz em louvor, a mais íntima emoção, o melhor remédio para o egoísmo que é o pecado original". Dentre tantas vantagens da adoração, como partes do culto da igreja a Deus destacam-se as seguintes:
-A adoração cria uma atmosfera de redenção.
-A adoração destaca o valor do indivíduo e sua responsabilidade.
-A adoração dá perspectiva à vida.
-A adoração dá ocasião ao companheirismo fraternal.
-A adoração educa.
- A adoração enriquece a personalidade e fortalece o caráter.
-A adoração dá energia para o serviço cristão.
-A adoração sustém a esperança de paz no mundo (Que Mi Pueblo Adore – Casa Bauistas de Publicaciones – Págs. 9-11).
2. Oração e Louvor
Dois tipos de oração são conhecidos no ensino e no exemplo da Igreja do Novo Testamento. Há a oração particular no lugar secreto da comunhão pessoal entre o crente e o Senhor, bem como a oração congregacional, feita conjuntamente por todos os crentes reunidos no lugar de culto. Deste modo a Bíblia fala de pessoas que oraram de forma individual, como de pessoas que oraram coletiva ou congregacionalmente. Jesus parecia estar ensinando a importância da oração congregacional, quando disse: "Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que porventura pedirem ser lhes-á concedida por meu Pai que está nos céus. Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles" (Mt 18.19,20). Através da oração, o louvor a Deus encontra a sua mais elevada expressão. Se oração é petição, rogo e intercessão, o louvor se constitui na mais refinada forma de adoração a Deus - veículo através do qual o crente expressa o seu reconhecimento pelos grandes benefícios recebidos de Deus, inclusive fazendo menção daqueles atributos divinos que, pronunciados, inundam de gozo a alma do crente.
3. Hinos e Cânticos Espirituais
Escreveu o apóstolo Paulo: "A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais; cantando ao Senhor com graça em vosso coração" (Cl 3.16). A Igreja Cristã nasceu em cânticos. Espera-se, pois, que o Evangelho cristão traga consigo para acena da história uma explosão de hinódia e dê louvor a Deus. Além disto, podemos argumentar que todos os antecedentes do aparecimento no mundo do Século I, nos levariam a esperar que a Igreja primitiva fosse uma comunidade de cântico de hinos. Podemos investigar os livros do Novo Testamento, tendo em mira descobrir ali a presença de semelhantes cânticos de adoração. As grandes religiões do mundo, com excessão o Cristianismo, não possuem hinos. Possuem apenas murmúrios de dor e lamentos. Como expressão de adoração, os hinos são uma exclusividade do Cristianismo. Na verdade a Igreja tem à sua disposição nada menos que quinhentos mil hinos. A Bíblia manda: "Está alguém alegre? Cante louvores" (1 Co 14.15). "Cânticos espirituais" se referem a fragmentos de louvor espontâneo que o Espírito Santo coloca nos lábios do adorador enlevado. Noutras palavras, é o que diz o apóstolo Paulo: "Que farei pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento" (Tg 5.13).Há ainda hoje grande fonte de inspiração à disposição do crente no cântico, seja de hinos congregacionais, seja em cânticos espirituais.
4. Reafirmações da Fé Cristã
Quando a Igreja se congrega para cultuar a Deus, dentre outras coisas, ela reafirma os valores espirituais por ela esposados. Deste modo a Igreja é reconhecida como comunidade de fé, pregação e confissão. A Igreja primitiva esposava um corpo de doutrinas distintivas, conservado como depósito sagrado da parte de Deus. As referências a esta base de verdade Salvífica estão dispostas com uma plenitude de descrição e variedade de pormenores, embora não se deva forçar a evidencia para sugerir que houvesse qualquer coisa que se aproximasse dos credos posteriormente adotados. Os seguintes termos demonstram como os cristãos primitivos designavam o conjunto doutrinário que criam e esposavam:
"A doutrina dos apóstolos" (Act 2.42).
"A palavra da vida" (Fp 2.16).
"A forma de doutrina" (Rm 6.17).
"As palavras da fé e da boa doutrina” (1 Tm 4.6).
"O padrão das sãs palavras” (2 Tm 1.13).
"A sã doutrina” (2 Tm 4.3; Tt 1.9).
Anos após os eventos redentores da Cruz e do Túmulo Vazio, os seguidores de Jesus Cristo ainda estavam confessando: "Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras. Foi sepultado; ressuscitou ao terceiro dia segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e, depois, aos Doze. Quando reafirmamos os pontos salientes de nossa fé, as nossas convicções vão se cimentando cada vez mais, até se transformarem em inabalável certeza.
5. Ministração da Palavra de Deus
O principal elemento da adoração praticada na sinagoga judaica era a leitura e a exposição da Lei: A Lei era lida primeiramente no hebraico original, e depois em paráfrases aramaicas, chamadas Targuns, seguindo-se, por sua vez, uma homilia ou pregação. Este era o centro de gravidade no culto da sinagoga, havendo bênçãos e orações dispostas em derredor. A leitura e exposição da Palavra de Deus alcançou o seu apogeu no ministério terreno de Jesus, bem como no ministério de seus apóstolos, especialmente do apostolo o que escrevendo a Timóteo, disse: "Devota tua atenção à leitura [e exposição] publica as escrituras’’ (1 Tm 4.23 – uma tradução livre).Dos ministros escolhidos por Deus para servirem à Igreja de Cristo, é exigida a máxima diligência no estudo e fidelidade na exposição das Escrituras. A igreja em cujo culto nota-se a ausência da atitude de amor e de respeito pela Palavra de Deus, toda e qualquer outra coisa, porventura, aí existente, por grande que seja a dedicação com que é feita, é abominável ao Espírito Santo ultrajante à honra do Senhor Jesus Cristo. Culto sem compromisso com a fiel exposição das Escrituras, não é culto na verdadeira acepção da palavra, pelo contrário, é confusão. Portanto, que os ministros de Cristo, pastores e mestres, deixem que o povo de Deus seja abençoado com a interpretação e exposição fiel das Escrituras.
6. A Mordomia Cristã
Da adoração cristã deve fazer parte não só aquilo que somos, mas também o que Deus nos tem dado. Particularmente, quanto ao dinheiro, o Novo Testamento o reconhece como meio de troca e de ganhar a vida; e dá toda a ênfase possível à necessidade de diligência e da consciência no trabalho diário do cristão. Dentre tantas outras, há uma razão mais profunda para que o cristão se aplique ao trabalho de forma mais honesta e com o melhor de seus esforços: Adoramos a Deus no decurso das nossas tarefas diárias, e a oferenda a Ele de toda a perícia profissional e capacidade dedicada, com a melhor produtividade da nossa mente e mãos, faz parte do nosso culto cristão tanto quanto o cântico dos hinos e as devoções nos cultos na igreja. Daí a justificativa do acréscimo tipicamente paulino àquilo que parece ser uma exortação pré-cristã: "Trabalhai de todo o coração... como para o Senhor" (Cl 3.23).
O dinheiro que damos como parte do nosso culto a Deus, junta estes dois aspectos: a dádiva é "santificada", e a adoração é "concretizada", à medida em que o fruto do nosso trabalho diário é trazido e oferecido ao Senhor para uso no seu trabalho.

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